
Após a leitura do primeiro capítulo do livro "A Família em Rede", percebi que existe uma problemática que o autor, Seymour Papert, reforça especialmente, a de que, nos dias de hoje, a experiência em relação às tecnologias pode não partir dos adultos para as crianças mas, mais provavelmente, das crianças para os adultos.
O autor faz questão de denominar a relação criança-computador como "um caso amoroso". Isto porque, a "cultura" que as crianças hoje trazem para casa, demonstra o controlo que estas já conseguem ter em relação aos seus interesses, gostos e capacidades.
Deste modo, as crianças tornam-se protagonistas em tudo o que o autor defende. Desde bebés, quando este acredita que é no seio familiar que desenvolvem a sua aprendizagem, ao reconhecimento do seu papel, quando entendem que pertencem a uma geração completamente dependente das tecnologias. A meu ver, quer o computador, quer a Internet, participam hoje no funcionamento de qualquer escola como elementos obrigatórios e fundamentais para o desenvolvimento do ensino e evolução do mesmo. Envolta nesta "cultura das crianças", não deixam de existir as preocupações dos pais em relação às consequências desta dependência, como por exemplo, as influências negativas que os jogos podem ter. Tal como acontece na chamada "cultura de aprendizagem", em que também tem que se ter em conta as aprendizagens exteriores, como o autor exemplifica, as culturas da Internet, dos amigos dos filhos e, sobretudo, a cultura da escola.
Além da escola, as tecnologias também conseguem "ensinar" as crianças por elas próprias, o que se verifica quando o autor refere que o seu neto soube colocar um vídeo e pô-lo a trabalhar, a observação é neste caso um ponto fundamental no desenvolvimento de capacidades, e as crianças melhor que ninguém, mostram-no.
No fundo, ao longo do capítulo I, o autor procura provar que os adultos conseguem tornar-se autónomos em relação às tecnologias, se assim não for, não conseguirão acompanhar as crianças.
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