Tuesday, November 6, 2007

"A Família em Rede" - capítulo IV


Hoje em dia, frequentemente surge a pergunta se "os valores devem ser ensinados pela escola ou pelos pais?". Concordo plenamente com o autor, quando este diz que a verdadeira importância da questão, trata-se do modo como os valores inerentes à educação são conduzidos. No fundo, na minha opinião, são os pais os grandes "condutores" dos valores nas crianças. Apesar dos professores transmitirem saberes e conhecimentos, muitas vezes precisam de transmitir algo mais para despertarem interesse e mesmo confiança nas crianças, valores como a honestidade e precisamente a confiança, devem ser desenvolvidos no seio familiar. Só assim, as crianças poderão crescer num ambiente baseado na segurança, no respeito e no reconhecimento das suas próprias capacidades e competências.
Apesar de se procurar "quem" ou "aquele" que deve educar a criança, é necessário reconhecermos também, que por muitos ensinamentos e valores que lhe sejam transmitidos, é a própria criança que deve acostumar-se a aprender sozinha, com os seus erros. Só depois, deverá reconhecer o erro e estar disposta a aprender a fazer bem e melhor, criando a sua própria vontade se ultrapassar os seus obstáculos e possíveis "enganos". Só assim, existirá o "respeito" de que falei na aprendizagem. Para comprovar o meu pensamento, retirei um excerto de Papert, que reflecte perfeitamente o que acabei de dizer: "O escândalo da educação reside no facto de sempre que ensinamos algo estamos a privar a criança do prazer e do benefício da descoberta".
Daqui poderei partir para a "solução construccionista" referida no livro. Esta "solução" consiste no facto de as crianças aprenderem consoante a realidade que as rodeia, isto é, adaptada à informações diárias que lhes são transmitidas. Por exemplo, "as crianças aprendem a pensar em quantidades porque vivem num mundo estruturado pela importância das quantidades". Isto, de facto, é uma realidade, tal como também é real o facto de que o "estímulo" é uma mais valia para o desenvolvimento intelectual da criança. Quando falo em desenvolvimento intelectual, também posso falar de desenvolvimento pessoal, passo a explicar. Fala-se muito dos perigos que vêm com as tecnologias, nomeadamente com o computadores e a Internet, no entanto, os pais não se apercebem que ao dizerem aos seus filhos que não devem visitar este ou aquele site, esquecem-se que as crianças cada vez mais aprendem mais depressa do que eles, e facilmente descobrem formas de os visitar. Talvez se nesta "cultura familiar", houvesse mais veracidade e confiança, as crianças provavelmente, não teriam tanta curiosidade em visitar os sites que os pais denominam de "indesejáveis". Com a leitura deste capítulo, reforcei a minha ideia de que as crianças devem ser estimuladas e o seu valor deve ser sempre reconhecido, só dessa forma se poderá criar um ambiente muito mais propício ao desenvolvimento da criança, onde estas se sintam muito mais valorizadas.

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